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Previdenciário · 4 min

Achado de imagem não é sinônimo de doença incapacitante

Alterações degenerativas são frequentes em pessoas sem sintoma algum, e isso muda a leitura do exame.

Uma ressonância que descreve protrusão discal, degeneração, tendinopatia ou artrose costuma ser lida pela parte como prova definitiva de incapacidade. Tecnicamente, não é.

O problema dos achados assintomáticos

Estudos de imagem em pessoas sem qualquer queixa mostram prevalência alta de alterações degenerativas na coluna e nos ombros, e essa prevalência aumenta progressivamente com a idade. Isso significa que encontrar a alteração não estabelece, sozinha, que ela é a causa do sintoma nem que gera limitação.

O que dá peso ao achado

  • Correlação anatômica entre o achado e o local do sintoma
  • Correspondência entre o achado e o exame físico, como déficit motor no território esperado
  • Evolução documentada, com imagem anterior que permita comparação
  • Repercussão funcional objetiva, mensurada e não apenas relatada

Consequência para o laudo

O perito que conclui incapacidade apenas pela leitura do relatório de imagem, sem correlacionar com o exame físico, produz laudo frágil. O inverso também vale: negar limitação apenas porque o achado é degenerativo ignora que degeneração sintomática existe e limita.

O trabalho correto é o cruzamento. Imagem, exame físico e função declarada precisam contar a mesma história. Quando não contam, o laudo deve dizer isso e explicar a divergência ao juízo.

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