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Saúde do idoso · 5 min

Delirium: o quadro que engana a perícia se não for procurado

Confusão aguda e flutuante é reversível, e conclusão de incapacidade permanente nesse contexto é erro grave.

Delirium é um estado confusional agudo, de início súbito e curso flutuante, causado por uma condição clínica de base. Infecção urinária, desidratação, dor não tratada e efeito de medicação são causas comuns em pessoas idosas.

Por que ele importa na perícia

Uma pessoa em delirium parece profundamente comprometida: desorientada, com atenção prejudicada, às vezes agitada ou excessivamente sonolenta. Se examinada nesse momento e avaliada como se aquele fosse seu estado habitual, o laudo conclui por incapacidade que não existe de forma permanente.

Como distinguir de demência

  • Início: delirium é agudo, em horas ou dias; demência é insidioso, em meses ou anos
  • Curso: delirium flutua ao longo do dia; demência é relativamente estável
  • Atenção: profundamente comprometida no delirium, relativamente preservada no início da demência
  • Reversibilidade: delirium tende a resolver quando a causa é tratada

Conduta pericial correta

Diante de suspeita de delirium, o caminho é registrar o achado, apontar a provável causa de base, e propor reavaliação após estabilização clínica, em vez de concluir. Adiar a conclusão nesses casos não é falha, é rigor. Concluir por incapacidade permanente durante um quadro reversível é o tipo de erro que produz curatela indevida e difícil de desfazer.

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