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Curatela · 5 min

Rastreio cognitivo na perícia: por que a impressão do examinador não basta

Instrumento validado transforma percepção em dado verificável, e é isso que dá sustentação ao laudo.

Em perícia de capacidade civil, a diferença entre um laudo sólido e um laudo impugnável costuma estar no uso de instrumentos padronizados.

O problema da avaliação apenas clínica

Uma conversa de vinte minutos pode enganar em ambas as direções. Pessoas com demência em fase inicial mantêm o que se chama de fachada social preservada: cumprimentam, respondem perguntas simples, conversam sobre o passado remoto com fluência, e parecem íntegras. Por outro lado, alguém com baixa escolaridade ou ansiedade intensa pode parecer comprometido sem estar.

O que instrumentos acrescentam

  • Produzem escore comparável, que outro profissional pode conferir
  • Corrigem por escolaridade, ponto essencial na população brasileira
  • Avaliam domínios específicos, como memória, função executiva e linguagem
  • Permitem reavaliação futura com a mesma régua

Cognição não é o mesmo que funcionalidade

Este é o ponto mais importante. Um escore baixo em teste cognitivo não decide sozinho a questão da capacidade. É preciso avaliar também o que a pessoa efetivamente faz na vida diária: administra o próprio dinheiro, toma a medicação corretamente, usa transporte, faz compras. Escalas de atividades instrumentais existem exatamente para isso.

O laudo forte é aquele que cruza as duas dimensões, cognição medida e função observada, e explica ao juízo o que essa combinação significa.

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